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Sunday, 30 May 2010

E SE AS ESTRELAS ACABASSEM?

Sou agnóstica, i.e. não faço a mínima ideia se deus existe ou não. Nunca a vi, nunca a senti. Pois se existe não tem porque ser masculino. A existir, deus até poderá ser uma bela negra amazónica com tendências sado-masoquistas...Quem sabe?
No dia em que a sentir, gritarei a alto e bom som que de católica-nascida-sem-opção e agnóstica-por-falta-de-informação-em-primeira mão, me converti à tal religião.
Para mim, todos os livros religiosos que existem por aí, não são mais do que compilação de mitos, tais como os que existiam na época Greco-Romana. Deus, Alá, Jeová, Júpiter, Zeus...todos nascidos da necessidade de se justificar o injustificável, o desconhecido, o medo, bem como da necessidade em acreditar que esta vida por vezes medíocre e desprovida de sentido vale alguma coisa. Se vale ou não, isso cada um saberá...
Não necessito de ser reconfortada com a ideia de que na morte irei – ou não – ser concedida do privilégio de conhecer a dita cuja, e de poder disfrutar de uma existência serena nos jardins celestiais.
Cá para mim não necessito de me identificar à força com uma religião que, na maioria dos casos, foi criada por homens megalomaníacos com sede insaciável de poder.
Sim, sou agnóstica, mas confesso que não me importaria de encontrar algo que me fizesse sentir, com todos os sentidos e mais algum ainda por descobrir.

A Morte é capaz de ser o único conceito que me intriga, talvez por também nunca a ter vivido. Por isso, não temo a morte, a minha morte, está claro, não a das pessoas que me são próximas.
Naturalmente, como muitas outras pessoas, também me questiono se a morte é o fim ou apenas o começo de uma nova fase na nossa existência. Quando era mais jovem, a morte era apenas o que vinha depois do nascimento-infância- adolescência-idade adulta-e-terceira-idade (ou, então, da hoje em dia tão badalada quarta idade...mas naquele tempo não se ouvia falar desta última) ou que, de forma caprichosa e aliatória vinha em qualquer altura de uma dessas fases, apenas para abalar a aparente ordem natural da vida. Depois de mortas as pessoas eram sepultadas ou cremadas (forma, sem dúvida alguma, mais higiénica e demonstrando uma maior conciência de sustentabilidade e preservação de espaço) e isso era o ponto final dessa vida.
Contudo, com o passar dos anos, talvez através de livros que li, disto e daquilo, e de pessoas que conheci, fui aprendendo a gostar da teoria da reencarnação. Isto não quer dizer que seja uma aceitação incontestável e permanente, mas gosto da ideia. Não do conceito fatalista de alguns de que cá se fazem, cá se pagam, nesta ou noutra vida...mas na concepção de apendizagem para uma evolução espiritual, em que um dia nos tornaremos em nossa própria energia ilunimada (esperemos que não na forma da tal com traços de sado-masoquismo), cujo percurso não terminaria na morte.
Uma ideia louca...E se ao morrerem e reencarnarem as vezes que achassem necessário, a essência das pessoas se transformasse em estrelas brilhantes, no vasto manto nocturno em que nos encontramos a rodopiar?
Mais ainda, e se essa fosse meramente a primeira fase desse estádio iluminado (no sentido lato e abrangente). Isso explicaria que à medida que continuássemos a evoluir nesse novo plano de extistência, a nossa luz escureceria até acabar por se desvanecer completamente, até abraçar uma nova forma de existência...Mais, também explica o facto de algumas noites o céu se apresentar mais estrelado do que outros: quanto mais estrelas no céu, mais seres a terem conseguido alcançar esse primeiro estádio de iluminação; quando o céu se apresente como uma auto-estrada escura como o breu, apenas salpicada aqui e ali de estrelas com efeito catadióptrico, convidando-nos a celebrar a passagem de mais alguns seres feitos estrelas para mais um nível superior de iluminação e abnegação.
Mas – perguntam vocês – e se um dias as estrelas acabassem? Isso certamente quereria dizer que o ser humano já havia vivido o que tinha que viver, aprendido o que tinha que aprender e, naturalmente, estaria num outro ponto do universo, com outra forma, nome e feitio, vivendo, aprendendo e evoluindo com os seus erros e tentativas...
Se o espaço é infinito, também o número e as possibilidades de vidas são ínfimas.

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