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The Magical Pool

For my goddaughter Lara. A beautiful ray of sunshine. It was very early in the morning and Otto the Octopus was still sound a...

Tuesday, 1 November 2016

The Magical Pool

For my goddaughter Lara.
A beautiful ray of sunshine.



It was very early in the morning and Otto the Octopus was still sound asleep in his pool of colourful balls. Suddenly, there was a huge splash and a green ball came propelling through the air and hit him on his head.

'Ouch!' Otto cried out, startled. 'What was that?' he said, looking around. He was very confused and angry. Nobody likes being woken up like that.
Otto sees something popping out of the rainbow coloured waves, gasping for air and crying for help ('Help!  Help!). Then there is nothing. No, there it is again!

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'What on earth is that?' Otto the Octopus is very curious now, so he wades across the pool towards where all the commotion is going on.

He gets there at just the right time to grab hold of the struggling creature with two of his long arms.

'Whoah! Calm down. You can't drown in this pool because there's no water. Look, it's magic!'

Before saying anything, the creature stops kicking his legs and waving his arms around and then looks around him.

'Oh! I thought I was deep trouble this time.' he said, looking straight into the octopus's eyes. 'Thank you. You've saved my life.'

'You're welcome. I'm Otto the Octopus and this is my pool...Well, it's Baby Lara's pool, but I live here. Who are you? And why are you here in your pyjamas?'

'I'm Koby.' said the Koala Bear, blushing. 'I sometimes sleep walk when I'm asleep and then I find myself in very strange places.'


'Well, you were very lucky this time. Baby Lara is a wonderful friend and this is a fantastic place to be.' said Otto.
Otto dove under the balls of colour and jumped up again.

'Come, I'll help you to the edge, then I'll go get you a lifebuoy, so we can talk some more.'

It wasn't long till Otto came back with a beautiful pink buoy and the two new friends spent the rest of the day talking and playing in the magical kaleidoscope pool of balls.
















© Paula do Amaral

Friday, 12 August 2016

Goodbye Childhood

Having refused to go out with her granny to buy some water, some milk and other stuff for the tired men and women who have been fighting fires and trying to save our woods and houses, she realised that it was almost lunchtime.
Sprawled on the bed with the TV on, the eleven-year old shouted out that she was hungry. 
'Your granny'll be here in a bit with the pizza. Let's set the table so we can have lunch as soon as she gets home, shall we?' said her auntie, from the bedroom door. 
'In a bit.'
Five minutes later.
'Come on, let's set the table.' said the auntie.
'I'm coming. I'll be there in a bit...I'm really hungry.' said the pre-teen without moving an inch.
A few minutes later.
'Come. Let's set the table.  Like that we can have lunch as soon as your granny gets home.'
'I'll be there in a bit!' said the girl with a lazy drawl. 
'What? No! For crying out loud...Get your lazy self off the bed and come and set the table! NOW!'
Teary-eyed, the teen gets up and leads the way to the kitchen with a steaming auntie right behind her. 
Damn. Usually someone does the things for her when she procrastinates.


I AM THE DESPERATE AUNTIE OF THIS YOUNGSTER WHO HAS NO CHORES AND SPENDS HER DAYS ON HER BACK LOOKING AT THE INTRICATE PAINT PATTERN OF THE WHITE CEILING, SURFING THE NET OR PLAYING COMPUTER GAMES ON HER TABLET. IT SEEMS THE PLEASANT LITTLE GIRL WHO ONCE LOVED PLAYING BOARD GAMES, READING AND GOING PLACES ARE OVER. I ALREADY MISS THAT LITTLE GIRL.

Friday, 22 July 2016

Resiliência

Algumas característas são inatas aos seres humanos, como a chamada «Gramática Zero» e a «Resiliência». Tanto uma como outra aparecem em estado bruto, à espera dos estímulos certos para se desenvolverem.

O que é, então, isso da «Gramática Zero»? Não é mais do que a capacidade linguística que os bebés têm de absorver as estruturas de todas as línguas existentes, desde que, obviamente, convivam com elas no seio da sua família e/ou meio. Quanto maior for o número de línguas com que um bebé tiver contacto no seu dia-a-dia e de forma constante, maior será o número de idiomas que aprenderá a falar. Se só tiver contacto com uma língua, então são as estruturas e vocabulário dessa língua apenas que a criança absorberá de forma natural.

O mesmo se passa com a resiliência, ou «a capacidade de superar e de recuperar de adversidades» [in http://priberam.pt]. Tal como no caso anterior, essa capacidade aparece num estado quase neutro, como uma esponja pronta a absorver a àgua para se tornar suave e moldável. É o meio envolvente do indivíduo que vai determinar se essa qualidade humana vai ser desenvolvida ou, pelo contrário, castrada.

Pais que sobreprotegem os seus bebés, não os deixando explorar o mundo, com medo que estes se magoem, ou que constantemente os ajudam a alcançar os seus brinquedos ou a levantar-se estão no caminho de criarem crianças inseguras, já que a resiliência depende de algum sofrimento, de algumas quedas, arranhões ou nódoas negras para a aprendizagem.

Do mesmo modo, uma criança que cresce sem elogios francos em casa ou na escola, dificilmente consegirá superar adversidades e pressões na vida.

Do outro lado da moeda, temos as famílias que, não descurando cuidados e atenção devida, permitem que a criança descubra o mundo do seu modo, a congratulam pelos seus sucessos, e conseguem incutir no seu espírito que, com preserverança e eforço, conseguirão derrubar barreiras e bater os seus próprios records.

Ao crescerem, os indivíduos resilientes tornam-se cada vez mais conscientes de como é importante o modo como a família e o meio se relacionam consigo. Na escola, os professores que valorizam o esforço dos alunos e os encorajam a trabalhar mais e melhor, como se se tratassem de atletas de alta competição a tentarem bater o seu record anterior, conseguem desenvolver neles melhores ferramentas de sobrevivência.

A eficácia do comentário positivo de um pai – «Estou certo que consegues uma nota melhor para a próxima, pois sei que te vais dedicar mais e melhor.» – terá resultados mais produtivos do que se disser «És sempre a mesma coisa. Parece que nunca chegarás a lado nenhum nesta disciplina.»

Também nenhum benefício terá a pessoa que ao abrir-se com alguém sobre algo que a preocupa, se deparar com uma mudança de foco de atenção: «Quando me sucedeu algo assim eu...» ou «Eu nunca teria feito isso assim, porque eu sou mais...» Uma pessoa resiliente saberá que deve encontrar um bom ouvinte, que não faça juízos de valor ou opine sobre o que ele/a faria nessa situação, mas sim que mostre empatia e mesmo no silêncio consiga levar a uma auto-análise da situação e da sua própria conduta.

Que utilidade há em dizer a uma criança que quando for grande não quererá ser dono de um abrigo para animais mas sim veterinária; não escritora de histórias de fadas mas sim jornalista; não actriz mas sim advogada ou político; …

Que utilidade há em dizer que um trabalhador só faz asneiras e que é mesmo burro, em vez de lhe perguntar o que acha que correu mal, como ele acha que melhor poderá resolver a situação? Não será melhor ouvir a pessoa e deixá-la chegar às suas próprias conclusões e soluções? Seguramente que sim. Um trabalhador que sabe que se errar não é humilhado, estará muito mais comprometido em identificar-se com a imagem da sua empresa. E se alguém tiver uma ideia estrambólica, não será melhor ouvi-la e saber como se propunha implementá-la do que descartá-la de imediato e ainda ridicularizá-la? Seguramente que sim. Senão, que teria sido do sonho de Edison levar a electricidade a todos os lares ou se o desejo de Tim Berners-Lee (pai da internet como a conhecemos) de aproximar as pessoas do mundo inteiro com o click de um dedo tivessem sido bloqueados apenas porque alguns não reconheceram nelas as ideias inspiradoras que foram?


Em suma, é verdade que «[a]s pessoas resilientes rodeiam-se de outros que as ajudam a colocar os problemas em perspectiva, compreendendo as suas preocupações e convicções, pessoas que as escutam, valorizam as suas opiniões, sonhos e ideias inspiradoras,»  [citação de Prof. P. Lopes, módulo de Inteligência Emocional e Resiliência]

Wednesday, 20 April 2016

An Adventure at the Grooming Parlour - A Picture Story

1. By the time I got to the dog hairdresser's I was already soaking wet - rainy day out! 
What offensive weather!




















2. And the torture begins!














3. Time for a scrub! Oh, Help me!








4. How I suffer!













5. Tornado time!







6. Looking shiny and cute again - but still very suspicious about what might come next!












7. Nope - that's my travel bag. No more torture!












8. I'm the queen of the castle! Where are my treats?!?
















9. I'm so bright and shiny you need to wear your sunglasses around me!













A Casa dos Terrores! - História com Photos

1. Hoje o dia começou mal. Com a chuva já cheguei toda ensopada ao cabeleireiro! Que tempo mais ofensivo!



















2. E a tortura começa!
















3. Hora da banhoca. Socorro - tirem-me daqui!











4. Como sofro!







5. Tornado time!

















6. Que linda e sedosa estou! Mas continuo desconfiada...











7. O meu saco! Estou safa - acho que vamos mesmo embora daqui!














8. A rainha do castelo! Onde estão as minhas guloseimas?!?

 







9. Estou tão brilhante que têm que usar óculos de sol ao pé de mim!







Wednesday, 2 March 2016

Uma Viagem pelo Deserto

A minha mais recente história, escrita para a filha de uma colega. As instruções da miúda foram: «Quero uma história sobre um camelo que anda perdido no deserto.» Pois bem, o seu desejo foi concedido. 
Para a Júlia,
a Princesa dasPantufas Verdes

- Júlia! Bernardo! - grita o Grande Mestre.
- Júlia! Júlia! Bernardo! - Onde estão, gritam várias pessoas ao mesmo tempo.
- Júuuuuuuuuuliaaaah! Júlia, querida, diz-nos onde estás! - grita mãe Gália, na sua própria língua. Estava tão preocupada! Desde a tempestade de areia de há dois dias que não se sabia de Júlia, a sua única filhota. O seu coração pesava no seu peito, pois sabia que a caravana não poderia esperar mais tempo.

Quebrando o silêncio do deserto, soa um sino. Dling-dlong-dling! Era o Grande Mestre a chamar todos os trabalhadores para fazer um comunicado. Dling-dlong! De repente forma-se um círculo com todos os acrobatas, malabaristas, bailarinas, palhaços, o domador de leão, o comedor de fogo, o homem-bala, a adivinha e muitos outros trabalhadores do circo

- Muito bem, já estão todos aqui. Apesar dos nossos esforços, ainda não conseguimos encontrar o Macaco Bernardo nem a Camela Júlia. Infelizmente, não podemos ficar aqui à espera mais tempo. Temos ainda três dias de viagem até chegarmos ao destino do nosso próximo espectáculo e também não podemos ficar mais tempo parados no meio do nada, no meio do deserto, senão vamos ficar sem água e sem alimentos para nós e para os nossos animais. Toca a carregar os camelos e as carroças...Partimos daqui a duas horas.

O olhos da Mãe Gália encheram-se de lágrimas. Sabia que não podia fazer nada e que teria que seguir com o resto da caravana. Mas Mãe Gália era uma pessoa forte e sensata, por isso decidiu que se não encontrassem camela Júlia pelo caminho, regressaria para buscar a sua filhota e, com um pouco de sorte, o seu amiguinho, o Macaco Bernardo.

Duas horas depois a caravana do Circo Fantástico estava a caminho.

A poucos metros de onde a carvana tinha estado parada, duas dunas pareciam ter ganho vida. De repente ficaram mais altas e começaram a jingar-se de um lado para o outro. Oh! Não eram dunas. Não era areia. Era uma pequena camela que depois de acordar reparou que estava completamente coberta pela areia.

Levantou-se, olhou à volta e começou a recordar-se do que tinha acontecido. Há dois sonos atrás, ela tinha-se levantado para ir fazer um xi-xi atrás de uma colina de areia e, sem nenhum pré-aviso, o vento levantou-se e ficou cada vez mais zangado. De tal modo que, mal tinha acabado de fazer o que tinha ido fazer, viu que estava enterrada e não conseguia sair sozinha. Lembrava-se de ter gritado bem alto pela mãe.

- Mãe Gália! Mãe Gália! Mas o vento era tão forte que lhe levava as palavras para o lado oposto de onde a caravana e a sua mãe estavam.

Ao princípio Camela Júlia ficou com medo e até chorou um pouco, acabou por adormecer e dormiu o sono mais longo que alguma vez dormira. Ainda abriu um pouco os olhos umas duas vezes; Uma das vezes devia de ser dia, já que conseguia ver a areia clara à volta do nariz, da outra era novamente noite, pois nem a ponta do nariz conseguia ver. Adormeceu de novo.

Dormiu até ao momento da história em que duas dunas pareciam ganhar vida. Era a camela Júlia que se tinha cansado de estar deitada debaixo da areia e começou a fazer força nas pernas para se levantar. Se calhar a gente do circo e a Mãe Gália não a tinham visto pois, certamente, alí no deserto, as duas bossas teriam parecido duas pequenas dunas.

Bom, onde íamos? Ah, é verdade, a Camela Júlia levantou-se, sacudiu-se com força e dirigiu-se para onde se lembrava que tinha deixado a caravana do circo.

- Oh, não! Mãaaaae Gáaalia! Onde está todo mundo? - gritou a pequena camela o mais alto que conseguiu.

Mas não havia nada a fazer. Não se via ninguém.

Agora confessem lá meninos e meninas. Devem estar a pensar que Camela Júlia ficou tão deseperada que se atirou ao chão a chorar baba e ranho. Estavam à espera disso não estavam? Pois fiquem a saber que nada disso se passou. Camela Júlia era uma camelita forte e esperta e lembrava-se bem do que a mãe lhe havia ensinado, «Nunca deseperes. Há sempre uma saída para a situação. Está atenta ao que se passa à tua volta e aprende com o que os mais velhos dizem.»

- É isso mesmo! Pensou Camela Júlia. O Grande Mestre disse que tinhamos que caminhar para Este; é aí que se encontra a pequena terra onde vamos montar o circo. O sol nasce sempre à nossa direita, a Este, e pôe-se à esquerda, a Oeste – lembrava-se ela também de ouvir um dia. – Bom, o sol nasceu há poucas horas, por isso se eu for em direcção ao sol, devo ir na direcção certa.

- Júlia! … - gritou do meio do nada o Macaco Bernardo.

- Aiiiiiiiiii, que susto! - disse Camela Júlia, dando um salto para trás.

- Desculpa, amiga. Não te queria assustar, mas fiquei tão contente por te ver que nem pensei. Olha lá, onde está o resto do pessoal?

- Bernardo! Que bom ver-te. Pois, também não sei de nada. Há duas noites houve um vendaval tal que fiquei presa debaixo da areia. Nem sabes o que me custou sair de lá. E tu? Que fazes aqui sozinho?

- Sabes, como sou levezinho o vento levou-me para aqueles lados. Também fiquei desorientado durante algum tempo. Que bom ver-te. Mas, e os outros?

- Não sei. - disse Camela Júlia, limpando uma lágrima que se juntava no canto do olho. - devem ter-se ido embora. Estava agora mesmo a pensar em seguir caminho, naquela direcção. Por agora temos que ir em direcção ao Sol. À tarde começamos a mudar para nos mantermos na direcção de Este.

- Sim, bora lá. Aqui não vale a pena ficarmos parados.

Passado algum tempo, Macaco Bernardo já estava às costas da amiga. As suas pernas eram tão curtinhas que ficavam enterradas na areia. Claro que ía demasiado lento e áquele passo de caracol nunca mais chegariam a lado nenhum.

- Ouve esta adivinha! Como é que se esconde um camelo no deserto? - pergunta o Macaco Bernardo, com o seu sentido de humor de volta.

- Não estejas com macacadas agora, não acho piada nenhuma. - respondeu Camela Júlia.

- Ha, ha, ha! É fácil – continuou o macaco, ignorando o mau humor da companheira. – enterra-se na areia e as suas bossas confundem-se com as dunas...ha, ha, ha.

-Ha-ha-ha – riu Camela Júlia, baixinho. A verdade é que era um bom esconderijo. Ela que o diga!
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Passado algum tempo a caminhar pelas colinas de areia, levantou-se novamente uma ventania que ía levando macaco Bernardo novamente pelos ares.

- Mete-te entre as bossas, Bernardo. Ficas mais protegido.

Macaco Bernardo levou algum tempo a responder. É que lhe tinha entrado areia para a boca e estava um pouco aflito.

- Chiça! Estou com fome, mas não era areia que queria comer. Agora precisava mesmo de um pouco de água para limpar a boca...e matar a sede. - disse Macaco Bernardo, um pouco aflito.

A Camela Júlia não disse nada. Estava preocupada com o seu amigo. Sabia que ela conseguiria sobreviver muito tempo sem comida e água. Afinal para que serviam as duas bossas cheias de gordura boa, senão para alimentar o corpo quando faltasse paparoca e o líquido transparente que valia ouro em terras do deserto? Sim, ela conseguiria sobreviver um tempão sem problemas, mas não o Macaco Bernardo! Ela não queria que acontecesse nada de mal ao seu amiguito, o único neste momento, pois os outros estavam em parte incerta. Teria que encontrar um cacto rapidamente. Poderia esmagá-lo com a boca e retirar um pouco de líquido lá de dentro para ajudar o amigo.

Infelizmente não havia nenhum cacto à vista. Apenas se via areia à frente, atrás e dos lados. Que aflição!

- Bernardo! Macaco Bernardo, acorda. Olha alí à frente. Estás a ver? Há dois cactos enormes, aguenta só um pouco mais, que faltam apenas mais uns metros.

Assim que chegaram ao pé dos cactos, Camela Júlia virou o pescoço, agarrou o amigo pelos colarinhos – sim, porque Macaco Bernardo era um macaco chic que dançava no espectáculo ao som do acordeão do seu dono – e pô-lo suavemente no chão à sua frente.

Na altura em que ía abrir a boca para arrancar um pedaço do cacto, ouviu uma voz esganiçada.

- Credo! O que é que estás a fazer? Vais ficar com picos no céu na boca, rapariga!

Mas Camela Júlia não tinha tempo para perder. Tinha que espremer um pouco de líquido do cacto para a boca do Macaco Bernardo antes que lhe acontecesse algo de mal. E foi isso que aconteceu. Squish! Fsssst! e lá jorrou um fio de água do cacto para a boca seca do macaco.

- Que bem que sabe! Obrigada Júlia. Se não fosses tu teria morrido esganado de sede. - disse Macaco Bernardo com gratidão. Mas, quem é esta...?

- Olá. Sou a Mayra, um lagarto do deserto. A sua amiga é um pouco louca sabe? Arrancou esse pedaço enorme do cacto com a boca!

- Olá, eu sou Macaco Bernardo e esta é a minha amiga e salvadora, Camela Júlia. - apresentou-se Macaco Bernardo.

- Olá. Desculpa se não te falei logo, mas o meu amigo estava numa situação complicada e tinha que o ajudar o mais rapidamente possível. Não te preocupes, estás a ver a minha boca? - ao dizer isto, Camela Júlia abre bem a boca, como se estivesse no dentista.

-Okay – respondeu Lagarto Mayra, sem saber ao certo o que é que devia estar a examinar.

- Vês como a pele do meu céu da boca é grossa? É tão grossa, que os picos dos cactos não conseguem picar-me. Aliás, os cactos fazem parte da minha dieta alimentar. A minha mãe diz que nos fazem bem.

- E onde está a tua mãe? - perguntou Lagarto Mayra, mas logo se arrependeu quando viu as três estranhas pálpebras pestanudas de Camela Júlia a cerrarem lentamente com tristeza: primeiro uma depois outra e por último a última. Que estranho, pensou ela. - Ai desculpa, não queria que ficasses triste.

- Lembraste da tempestade de areia que houve há dois sonos atrás?- perguntou o Macaco Bernardo - Pois eu e Camela Júlia fomos separados do nosso grupo. Vamos em direcção a Este para tentar encontrá-los.

- Pois coragem, amigos. Vão encontrá-los com certeza. O importante é não desmotivarem...Ora bem, vou andando que ainda tenho que ir caçar o meu jantar. - dito isso, o Lagarto Mayra, virou as costas e foi em busca de algum escorpião ou cobra para levar para casa.

Começava a cair a noite quando os dois caminhantes do deserto decidiram parar. À luz das estrelas vê-se mal o caminho a seguir. Macaco Bernardo encontrou umas ervitas secas e uma espécie de formigas para o jantar. Não era nada saboroso, mas pelo menos davam para enganar a fome. Camela Júlia tinha comido o cacto um pouco antes, por isso estava bem.

- Temos que dormir cedo para amanhã nos levantarmos com o sol. - disse a sábia Camela, tomando a liderança daquela viagem.

- Júlia? - começou o Macaco um pouco envergonhado.

- Sim?

- Achas que me posso encostar ao teu pescoço? É que as noites no deserto ficam mesmo frias. É tão estranho, durante o dia quase que não se pode andar ao sol por causa do calor...

- Sim, podes, até agradeço. Normalmente durmo encostada à minha mãe e rodeada do resto da cáfila e nunca sinto frio. Agora...

- Cáfila? Que raios é uma cáfila?

- Ó Brenardo, andas sempre tão distraído. Não te lembras de termos aprendido os grupos de animais?

- Uma cáfila é um grupo de camelos; uma capela é um grupo de macacos; uma matilha é um grupo de cães; uma manada, um conjunto de bois, búfalos e elefantes, um...

- Pronto, já entendi. - um pouco aborrecido com a aula de língua que a amiga lhe estava a dar, mas ao mesmo tempo orgulhoso por ter uma amiga tão esperta. - Sabes, Júlia, não é que não me interesse, só que às vezes há coisas tão bonitas na natureza que me distraio um pouco.

- Brrrrr! Está mesmo frio. Quem me dera que a minha mãe estivesse aqui connosco. - disse Camela Júlia baixinho.

- Não fiques triste, Júlia. Vais ver que amanhã temos sorte. Boa noite.

- Boa noite, Bernardo. Ainda bem que estás aqui comigo.

- Também acho. Já imaginaste o que teria sido de mim sozinho pelo deserto? Já teria virado bacalhau seco, com o calor que faz e a falta de água.

As gargalhadas dos dois amigos romperam o silêncio da noite. O Macaco Bernardo era mesmo engraçado. Bacalhau seco! Imaginem só a imagem que foi buscar.
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Na manhã seguinte a Camela Júlia e o Macaco Bernardo acordaram com os primeiros raios de sol. Levantaram-se devagar e espreguiçaram-se os dois de uma forma muito divertida e, como não havia nada para tomar ao pequeno almoço, partiram sem demoras em direcção ao sol.

Era cedo e os raios já estavam bem brilhantes. Demasiado brilhante. De tal forma brilhantes que o Macaco Bernardo, coitado, teve que pôr o lenço do pescoço à volta dos olhos.

- A luz das manhãs é sempre demasiado intensa para mim. - disse ele. - A ti o sol parece não afectar tanto, porque será?

- Ó Bernardo, eu sou um animal do deserto, por isso estou mais preparada para o tempo que aqui faz. Tenho a pele da boca tão dura que os picos dos cactos não conseguem romper. E já reparaste nas pestanas grossas que tenho?

- Sim, e também tens 3 pálpebras. Porquê?

- Tanto as pestanas como as pálpebras servem para não deixarem entrar areia nos olhos. Mas eu também acho que me protegem um pouco da luz do sol.

Uns minutos depois o coração de Camela Júlia começou a bater mais rápido. Piscou os olhos umas cinco vezes seguidas para ter a certeza do que estava a ver. Ao longe, conseguia ver a silhueta de um outro camelo. Mas aquele andar, ai aquele andar, era-lhe estranhamente familiar.

- Bernardo, Bernardo, rápido tira o lenço dos olhos! O que é que vês além ao fundo?

- Espera lá. O quê? Não vejo nada! O que é que querias que eu visse? - perguntou o Macaco Bernardo um pouco irritado por ter que olhar outra vez para a luz do sol. – Ai, espera, acho que sim, já estou a ver alguma coisa. É grande e parece que está a correr na nossa direcção. Acho que nos vai atacar, corre Júlia, corre!

- Não sejas tonto, Bernardo. Acalma-te lá. Acho, acho que é a minha mãe. - disse Camela Júlia, com a voz a tremer.

- Júlia! Júlia!

- Mãe! Mãe! És mesmo tu?

- Júlia! Minha menina linda! Tive tanto, tanto medo de te ter perdido.

- Ó Mãe, que saudades! Julgava que nunca mais te via. O que é que aconteceu?

Meia hora depois, a Mãe Gália já tinha contado a sua história e os jovens contaram a deles também. Que felizes que estavam todos.

- Bom, agora vamos lá despachar-nos para ver se apanhamos o resto da caravana. - disse a Mãe Gália. - A ver se os conseguimos alcançar. Atrás daquela terceira duna...

- E tem a certeza que é mesmo uma colina e não a bossa de um camelo? - perguntou o engraçadinho do Macaco Bernardo.

- Bernardo! - disseram a Mãe Gália e a Camela Júlia ao mesmo tempo.

Mas todos deram uma boa gargalhada. Era bom rir para descontrair depois da aflição que foi estarem separados uns dos outros.

- Continuando...- disse a Mãe Gália – vamos lá ter com o resto da caravana. Tenho a certeza que vamos dar uma festa antes de continuarmos caminho. Vamos lá meus amores que tudo está bem quando acaba bem.


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