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A Journey through the Desert

( First posted in Portuguese,  in March 2016) For Julia , The Princess with the Green Slippers 'Julia! Bernardo!...

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Sunday, 30 May 2010

E SE AS ESTRELAS ACABASSEM?

Sou agnóstica, i.e. não faço a mínima ideia se deus existe ou não. Nunca a vi, nunca a senti. Pois se existe não tem porque ser masculino. A existir, deus até poderá ser uma bela negra amazónica com tendências sado-masoquistas...Quem sabe?
No dia em que a sentir, gritarei a alto e bom som que de católica-nascida-sem-opção e agnóstica-por-falta-de-informação-em-primeira mão, me converti à tal religião.
Para mim, todos os livros religiosos que existem por aí, não são mais do que compilação de mitos, tais como os que existiam na época Greco-Romana. Deus, Alá, Jeová, Júpiter, Zeus...todos nascidos da necessidade de se justificar o injustificável, o desconhecido, o medo, bem como da necessidade em acreditar que esta vida por vezes medíocre e desprovida de sentido vale alguma coisa. Se vale ou não, isso cada um saberá...
Não necessito de ser reconfortada com a ideia de que na morte irei – ou não – ser concedida do privilégio de conhecer a dita cuja, e de poder disfrutar de uma existência serena nos jardins celestiais.
Cá para mim não necessito de me identificar à força com uma religião que, na maioria dos casos, foi criada por homens megalomaníacos com sede insaciável de poder.
Sim, sou agnóstica, mas confesso que não me importaria de encontrar algo que me fizesse sentir, com todos os sentidos e mais algum ainda por descobrir.

A Morte é capaz de ser o único conceito que me intriga, talvez por também nunca a ter vivido. Por isso, não temo a morte, a minha morte, está claro, não a das pessoas que me são próximas.
Naturalmente, como muitas outras pessoas, também me questiono se a morte é o fim ou apenas o começo de uma nova fase na nossa existência. Quando era mais jovem, a morte era apenas o que vinha depois do nascimento-infância- adolescência-idade adulta-e-terceira-idade (ou, então, da hoje em dia tão badalada quarta idade...mas naquele tempo não se ouvia falar desta última) ou que, de forma caprichosa e aliatória vinha em qualquer altura de uma dessas fases, apenas para abalar a aparente ordem natural da vida. Depois de mortas as pessoas eram sepultadas ou cremadas (forma, sem dúvida alguma, mais higiénica e demonstrando uma maior conciência de sustentabilidade e preservação de espaço) e isso era o ponto final dessa vida.
Contudo, com o passar dos anos, talvez através de livros que li, disto e daquilo, e de pessoas que conheci, fui aprendendo a gostar da teoria da reencarnação. Isto não quer dizer que seja uma aceitação incontestável e permanente, mas gosto da ideia. Não do conceito fatalista de alguns de que cá se fazem, cá se pagam, nesta ou noutra vida...mas na concepção de apendizagem para uma evolução espiritual, em que um dia nos tornaremos em nossa própria energia ilunimada (esperemos que não na forma da tal com traços de sado-masoquismo), cujo percurso não terminaria na morte.
Uma ideia louca...E se ao morrerem e reencarnarem as vezes que achassem necessário, a essência das pessoas se transformasse em estrelas brilhantes, no vasto manto nocturno em que nos encontramos a rodopiar?
Mais ainda, e se essa fosse meramente a primeira fase desse estádio iluminado (no sentido lato e abrangente). Isso explicaria que à medida que continuássemos a evoluir nesse novo plano de extistência, a nossa luz escureceria até acabar por se desvanecer completamente, até abraçar uma nova forma de existência...Mais, também explica o facto de algumas noites o céu se apresentar mais estrelado do que outros: quanto mais estrelas no céu, mais seres a terem conseguido alcançar esse primeiro estádio de iluminação; quando o céu se apresente como uma auto-estrada escura como o breu, apenas salpicada aqui e ali de estrelas com efeito catadióptrico, convidando-nos a celebrar a passagem de mais alguns seres feitos estrelas para mais um nível superior de iluminação e abnegação.
Mas – perguntam vocês – e se um dias as estrelas acabassem? Isso certamente quereria dizer que o ser humano já havia vivido o que tinha que viver, aprendido o que tinha que aprender e, naturalmente, estaria num outro ponto do universo, com outra forma, nome e feitio, vivendo, aprendendo e evoluindo com os seus erros e tentativas...
Se o espaço é infinito, também o número e as possibilidades de vidas são ínfimas.

«O que é um amigo? Uma única alma habitando dois corpos.»//«Friendship is a single soul dwelling in two bodies.» - Aristóteles

          Há pouco tive uma conversa interessante com um amigo sobre energias, e se as energias se reconheciam umas às outras. É uma teoria interessante, à qual subscrevo totalmente.
Aristóteles falava em 'alma', o que para uma Agnóstica poderá ser entendida como 'energia'...É interessante esta teoria, de uma mesma 'energia' habitar dois – ou mesmo, mais do que dois corpos. Sendo assim, não há apenas uma alma gémea por pessoa, o que pressupõe que haja diversos tipos de almas gémeas, i.e. não apenas aquela ligada ao amor...E, se pensarmos bem, o facto de podermos estar apaixonados por duas pessoas ao mesmo tempo, poderá confirmar a existência de mais do que uma alma gémea de cariz amoroso – o que não deixa de representar um azar tremendo nas nossas vidas o depararmo-nos, na mesma altura, com as duas!!!
          Este tema fez-me lembrar uma cena do filme BEFORE SUNRISE (Antes do Amanhecer), quando Ethan Hawke e Julie Delpy estão a viajar de autocarro, em Vienna. Lembro-me que só alguns anos depois, quando voltei a ver o filme, é que relamente entendi o que a personagem Jesse estava a dizer – basicamente o que foi dito anteriormente.

          OK, se aceitarmos a ideia da atracção das energias, também teremos que aceitar a ideia de que algumas energias são mais poderosas do que outras e que, se não estivermos atentos/as, estas poderão sugar-nos toda a energia...Por isso ganha, nas discussões acesas, a energia mais forte – uma maneira de evitarmos isso, é evitarmos imitar a agressividade dessa outra energia. O manter a calma será talvez a melhor forma de combater e evitar o 'roubo' da nossa energia...Mas, em contrapartida, nesse 'roubo' haverá, certamente, um absorver das ideias e vontades da energia mais forte, o que, curiosamente, também a debilitará...
          SOCORRO! Parece-me que de tanto pensar, o conceito das 'energias' já não está tão claro na minha mente!

«Love is composed of a single soul inhabiting two bodies.» / «Friendship is a single soul dwelling in two bodies.» - Aristotle


           A while ago I had a very interesting conversation with a friend of mine. It was about Energy and whether different energies would recognise one another. Aristotle used to talk about the 'soul' which, for an Agnostic, can be understood as 'e...nergy'. The idea of one 'energy' inhabiting two or even more than two bodies is fascinating and I fully subscribe to it. According to this theory, there is more than one soul mate per person, which means that there must be different kinds of soul mate, i.e. soul mates that aren't merely connected to love...On the other hand (and come to think of it), the fact that you can actually be in love with two people at the same time is proof that, in love, there can also be more than one soul mate; it is just sheer bad luck when we come across both soul mates at the same time!
           This theme reminds me of a scene in the film BEFORE SUNRISE, when Ethan Hawke and Julie Delpy are travelling around Viena by bus:


BEFORE SUNRISE (1995)

Jesse:Do you believe in reincarnation?
Celine: Yeah. Yeah, it's interesting.
Jesse: Yeah, right. Well, most people, you know, a lot of people talk about past lives and things like that, you know? And even if they don't believe it in some specific way, you know, people have some kind of notion of an eternal soul, right?
Celine: Yeah.
Jesse: OK, well this was my thought: 50,000 years ago, there are not even a million people on the planet. 10,000 years ago, there's, like, two million people on the planet. Now there's between five and six billion people on the planet, right? Now, if we all have our own, like, individual, unique soul, right, where do they all come from? You know, are modern souls only a fraction of the original souls? 'Cause if they are, that represents a 5,000 to 1 split of each soul in the last 50,000 years, which is, like, a blip in the Earth's time. You know, so at best we're like these tiny fractions of people, you know, walking... I mean, is that why we're so scattered? You know, is that why we're all so specialized?
Celine: I don't know. Wait a minute, I'm not sure... I don't...
Jesse: Yeah, hang on, hang on. It's a, it's a totally scattered thought. It... which is kind of why it makes sense.


          OK, then, if you accept the idea that energies attract one other, then you also have to accept the idea that some energies are stronger than others...And if you're not careful, the stronger energy can suck out all your energy from your body.... In a heated discussion, the stronger energy is most likely to win. A way of preventing this from happening is by not imitating that aggressive energy: Staying calm weakens the stronger energy as it cannot feed from your own energy.
          What do you think?